A última vez que fui ao Espírito Santo foi em julho de 2013 e passei apenas uma semana lá. Aquela semana, no entanto, foi o suficiente pra me fazer relembrar do quão especial aquele lugar é e como eu senti falta do aroma do mar e da calmaria da cidade. Antes disso, eu só havia visitado Vila Velha em 2007 e, depois de seis anos, resolvi retornar.

Pois bem, dessa vez foi tudo diferente. Fui com meu irmão passar duas semaninhas inteiras com a nossa mãe e nesse meio tempo pude aprender muita coisa sobre mim mesma e sobre família. Pude ficar preguiçosa em casa ou na praia, sem me preocupar com nada e sem

ter

que fazer nada.

Quando eu planejei essa viagem, esperava ter mil lugares pra ir e mil pessoas pra fotografar. Queria que as coisas simplesmente surgissem como elas eram na minha cabeça e, na verdade, aconteceu tudo ao contrário. Tive um lapso por falta de inspiração, tive medo de usar o equipamento na praia e entrar areia no meu sensor, arranhar minha lente; queria modelos, mas não havia ninguém além do meu irmão e minha mãe e, ocasionalmente, uma amiga ou outra. Tudo isso me deixou irritada, pois eu planejei tudo certinho e

era

pra acontecer daquele jeito!

 Foi então que eu simplesmente parei de pensar e comecei a deixar as coisas acontecerem. Não simplesmente se *fabrica* uma foto, vamos assim dizer. Isso não funciona pra mim. Todas as fotografias que já tirei ao longo da minha jornada fotográfica apenas 

vieram a mim.

Com esse assunto resolvido, fui então de fato a proveitar a praia. Os dias no ES estavam 

QUENTES!

 Jesus Cristo, e 

como 

eram quentes. O céu sem uma nuvenzinha sequer. Tinha dias que nem ventar, ventava! Me lembrou bastante aqui do DF. Era sair na rua por dois minutinhos e vinha suor na certa.

Mas sair de casa e pisar na areia quente e depois esfriar os pés na água geladinha da Praia da Ponta da Fruta era totalmente gratificante. As crianças, as pessoas, os senhores e senhoras passeando por ali, se divertindo no mar, todo mundo sorrindo... aquela atmosfera toda te abraça de forma inenarrável, você simplesmente esquece de todos os problemas e no meio da semana se vê ansioso para ir à praia novamente. Sentir aquela água gelada nos pés, ser levado pelas ondas e morrer de rir quando sem querer trombar em algum outro banhista que pegou a mesma onda que você.

Nas tardes mais amenas, ficávamos sentados numa sombra qualquer enquanto minha mãe, uma artesã de muito talento, fazia pulseirinhas à mão pra vender na praia e meu irmão tomava uma cervejinha gelada. Cada um na sua e mesmo assim todos compartilhando o mesmo feeling de relax. :)

Minha mãe fazendo pulseiras e meu irmão, filtro dos sonhos. Enfeitando a casa de cor e trabalho duro, porque quem pensa que é fácil fazer essas coisinhas está muito enganado! Duas, três tardes para fazer um filtro dos sonhos perfeito pra agradar a encomenda da cliente. Horas sentada na mesma posição terminando as cores certas da pulseirinha mais pedida. Erra, faz novamente, erra, respira, começa outra vez... E assim, nessas duas semanas, minha mãe conseguiu preencher um cano inteiro com 100 pulseiras pra vender.

Fins de tarde esperando o por do sol sentados embaixo de um coqueiro....

... e foi aí que eu comecei a suspeitar que havia algo de errado com minhas fotos. Eu não estava conseguindo focar direito e a aberração cromática nas fotos estava demais! Totalmente visível e aquilo além de estragar a foto, me irritou muito, pois eu não sabia o que diabos era e como resolver. Fui limpar minha lente com um desses kits que vendem em loja de fotografia e ta-dã! O líquido de limpeza

entrou

 no vidro da lente e o deixou manchado. Primeiro tive um surto básico e depois fui atrás de alguma assistência técnica em Vitória. Achei uma chamada

Pedretti

, que fica na Reta da Penha, próxima ao DML. Levei lá e o moço me explicou que: 

a)

 aquilo não era fungo, como eu pensava.

b)

 havia sim como resolver o problema, porém teria que ficar uma semana na loja. Estaria tudo bem se

c)

 aquela não fosse minha última semana na praia.

Nesses últimos dias que fiquei sem a minha única lente (!!!) pude exercitar minha criatividade. Na volta da assistência, descobri uma praia muito linda perto da 3ª Ponte e fiquei encucada com o lugar. Era absolutamente lindo.

Sem câmera disponível, usei e abusei do meu celular. Quem me segue no

instagram

pode ter visto a quantidade de fotos que postei, rs. :)

Aproveitei mais o tempo com minha mãmãe e meu irmãozinho chato. Preenchemos a paciência infinita da mamis com nossas brigas e pegação de pé um com o outro. Minha mãe, perfeita como é, se mostrou totalmente calma e em nenhum momento caiu nas nossas chateações. A nossa convivência foi perfeita e pude aprender mais e mais sobre companheirismo.

Chegado o dia de buscar a lente, resolvemos passear na praia que eu havia descoberto e praticamente forçado todo mundo a semana toda a concordar a ir comigo nela. A praia pela qual me apaixonei fica na Praça do Papa, em Vitória. E é em frente ao Projeto Tamar! Lá também tinha um mirante maravilhoso pela qual pude apreciar a Capitania dos Portos do ES. Enquanto eu fotografava o mar e tentava pegar uma onda batendo nas pedras, um surfista muito gentil praticamente me obrigou a subir no mirante, pois, segundo ele, eu iria tirar fotos

filés

lá de cima. Debaixo de um sol escaldante de 35º, alguns corajosos entraram no mar, mesmo sendo proibido para banhistas.

Enfim voltamos para casa.

De Vitória ao RJ, do RJ à Brasília. Tive um por do sol só pra mim bem na minha janelinha! Pena que meu irmão que estava sentado nela e que o moço da poltrona da frente reclinou seu assento e atrapalhou minhas tiradas de foto incessantes. =/ Acho que ele se irritou com o barulho da câmera, haha. Mas ainda assim tive essa visão maravilhosa na volta pra casa. Fui muito bem recebida. :)

Mas mal posso esperar pra voltar pras terras capixabas! Até julho, ES!

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