EMPODERAMENTO: Empoderamento é a ação social coletiva de participar de debates que visam potencializar a conscientização civil sobre os direitos sociais e civis. Esta consciência possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva necessária para a superação da dependência social e dominação política. (Leia mais no facebook da fotógrafa Juh Almeida)


Recentemente li um artigo cujo título me chamou atenção: Como a indústria da fotografia determinou que o "normal" é a pele branca.

Esse artigo trouxe um impacto na forma como eu costumava fotografar. Ainda na mesma semana, havia saído o novo filme dirigido por Tim Burton. Esse, por sua vez, contém apenas um personagem negro (Samuhel L. Jackson) e dos 36 filmes dirigidos por Tim Burton, essa é a primeira vez que um ator negro tem papel principal.

Sendo uma mulher negra (reconhecendo meus privilégios como negra de pele clara (ou sendo socialmente lida como 'morena'), repensei em quantas vezes vi personagens negros sendo representados em revistas, filmes, fotografias, videoclipes e editoriais de moda.

Sendo uma fotógrafa, repensei em quantas vezes fotografei pessoas negras e o motivo por trás dessa falta de diversidade nos meus próprios modelos.

Conversando com Marília - jornalista, baiana, negra e empoderada -, decidi criar um projeto de afro-empoderamento (a priori com o intuito de dar visibilidade à mulheres negras).

Inspirada na vivência dessa mulher incrível e em todas as vezes que ela me instruiu a respeito de falas problemáticas, racismo, vivência e afins, decidimos fazer um ensaio com base em várias referências fotográficas do festival Afropunk, ensaios fotográficos de Lupita Nyong'o, modelos brasileiras e o projeto *EMPODERAMENTO NEGRO-FEMININO* da fotógrafa de Salvador, Juh Almeida, Marília e eu montamos um layout que representasse ambas culturas africana e brasileira, como forma de empoderamento negro.

Marília tem uma irmã quase gêmea, a Lorena. Juntas são uma força da natureza.

A combinação de poder negro-feminino, cores, cultura, moda e estilo teve como resultado as fotos abaixo.


O racismo é uma opressão estrutural, principalmente em terras brasileiras. É nosso dever, como seres humanos, desconstruir essa opressão de todas as formas possíveis. Sejam elas culturais, estéticas ou sociais.

Sobre esse ensaio, Marília escreveu:

"[...] Usamos a estética como um dos instrumentos que empodera. As cores, os tecidos africanos, o pertencimento ao ambiente urbano... Tudo isso resgata nossas raízes, reafirma a autoestima de irmãs divas, mostra a sintonia que nos mantém ligadas e literalmente nos dá poder."

Como disse Taís Araújo e Lázaro Ramos, negro tem que sentir orgulho e não vergonha.

Talvez essa seja a frase que eu mais repita em redes sociais e pessoalmente, mas sempre é bom reforçá-la: Representatividade importa.

Nós existimos.

Continuaremos a existir. Não tentem nos apagar.


Toda essa produção só foi possível porque Lorena e Marília aceitaram posar pra mim.

Suas roupas são feitas de tecidos vindos diretamente da Costa do Marfim.

Apoio em direção, layout e produção foram feitos pelo Samuhel.


Se você é uma pessoa negra e quer participar, me dá um alô. Entre em contato.

Vamos tomar um café, discutir cultura e fotografar. :) <3

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