Estou aqui simplesmente pra dizer que eu sobrevivi aos piores dias que tive em 2017. Todas as minhas postagens anteriores com mensagens otimistas eram tentativas incessantes de me manter sã e continuar acreditando naquilo que eu queria que acontecesse.

Em algum momento eu senti que me perdi. Senti que não daria conta de continuar e que não haveria mais motivo nenhum pra eu tentar ver a vida com bons olhos. Eu procurei ajuda em todos os lugares que pude – meus amigos, minha família e ajuda profissional.

A parte mais difícil foi ter que admitir pra mim mesma, além de todos ao meu redor, que o meu transtorno de ansiedade estava saindo do meu controle. Fiquei aprisionada numa onda pesada de pessimismo e medo. Pra mim, entre maio e julho, tudo no mundo daria errado e eu era prova viva disso.

Eu lido com a ansiedade desde criança, mas os mais variados acontecimentos acumularam uma diversidade de gatilhos dentro de mim e eu já não me sentia mais segura para andar na rua, pra ficar em casa sozinha, pra simplesmente sobreviver.

Fiquei reclusa. O choro era constante, o medo também. 

Precisei tomar medidas drásticas pra me manter sã – me afastei daquilo que achava que era tóxico pra mim. De pessoas, de lugares, de rolês...

Eu sentia que muitas pessoas eram audiência pro palco do meu delírio emocional e ainda assim, quem realmente importava, não fazia a menor ideia do que estava acontecendo comigo. Me abrir pros outros foi ainda mais difícil que me abrir pra mim mesma; desmontar aquela imagem de uma Camilla feliz, alegre e sempre sorridente, foi um dos momentos mais corajosos da minha vida.

No fim do dia eu sempre me sentia fraca por ter uma doença mental. Eu sentia vergonha de mim e vergonha de viver.

Apesar do meu pessimismo inicial e da minha teimosia com tudo ao meu redor, eu sobrevivi. Eu consegui.

Eu busquei ajuda, eu admiti meus problemas e parei de lutar contra eles. Entre maio e julho, eu senti que queria morrer.

Agosto chegou e eu tive medo do que ele traria consigo, mas na verdade aqui estou eu, pronta pra pegar novamente na minha câmera e registrar a vida acontecendo. Eu estou aqui e eu quero viver.

Eu quero viver.

Esse ano mexeu comigo em todas as formas possíveis. Abalou meu emocional, meu afetivo, meu profissional e meu fraternal. Mas ele não acabou e eu sinto que algo de bom tirei disso tudo. Eu me conheço mais, eu reconheço meus defeitos e procuro mudá-los; eu agora vivo por mim e só pra mim. Ter uma doença mental não faz de mim fraca, não faz de mim alguém menor. Eu sou forte e sigo me fortalecendo. À todos que se dispuseram estar aqui por mim durante todo esse período: o meu muito, muito, obrigada! <3

 

 

Eu não consigo por em palavras o meu agradecimento à todo mundo que foi paciente comigo, que entendeu a minha necessidade de simplesmente ir bem devagar com as coisas, que me ouviu, que mandou um "se precisar, eu tô aqui!", e a quem de fato esteve lá.

Hoje me sinto mais forte que há meses atrás e sigo me fortalecendo a cada dia mais.

Nesse post apenas um "oi, voltei!" e algumas fotos aleatórias. Nos próximos dias vou postar as fotos que fiz enquanto estive me recuperando e cuidando de mim. <3

É bom estar de volta. :)

"Que a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama
Por onde andei
Enquanto você me procurava?
E o que eu te dei?
Foi muito pouco ou quase nada
E o que eu deixei?
Algumas roupas penduradas
Será que eu sei
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava?"

1 Comment